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sucesso, por sarah paulson


Não é anormal ou digno de julgamento procurar conselhos para ser bem sucedido em qualquer atividade do seu interesse. É ainda mais normal que muitos de nós gostemos de fazer alguma coisa, como tocar flauta, escrever poesias ou correr uma maratona, e não tenhamos a motivação necessária para executá-las bem. Essa normalidade pode nos levar à internet em buscas intermináveis sobre como pessoas que ficaram famosas por fazer aquilo que temos vontade de fazer conseguiram seu sucesso com isso. E isso é bem normal também.

Não foi assim que encontrei esses conselhos da atriz Sarah Paulson de como ser bem sucedido em uma carreira (alguém compartilhou o link na minha timeline do Twitter e eu acabei clicando), mas alguém que jogasse no Google os termos “Conselhos para ser bem sucedido” talvez o encontrasse da mesma forma. O texto é pequeno e vale a leitura, e serve tanto para aqueles que conhecem a atriz de seus trabalhos mais recentes e super bem sucedidos (como American Horror Story e The People v. O.J. Simpson: American Crime Story, que, acreditem, ela gravou simultaneamente) quanto para aqueles que estão dispostos a conhecê-la, mesmo que superficialmente. Ou você pode acompanhar essa pequena pincelada que forneço aqui!


Os conselhos que a Sarah tem para aqueles que querem ter uma carreira bem sucedida me chamaram a atenção porque seguem um caminho bem distante daquele que estamos acostumados a acompanhar em textos motivacionais ou em palestras sobre o assunto. Os argumentos distribuídos por esses são sempre os mesmos: comece cedo, aproveite sua juventude, não tenha preguiça, estude bastante, entre outros. São conselhos que você já ouviu das pessoas que conhece e que, no fundo, torce para não serem repetidos mais. Você quer ouvir algo novo!

O primeiro conselho que a Sarah tem para você, por exemplo, quebra esse estigma de que a idade é importante para que um trabalho seja bem feito ou para que o sucesso venha. Ela diz até se sentir grata de que o seu momento de sucesso tenha vindo tão tarde – e ela considera esse momento sendo o de agora, que está com 41 anos (e com o semblante de alguém bem mais jovem, vocês precisam concordar). Diz isso porque acredita que, se o sucesso lhe tivesse vindo quando era mais jovem, acabaria acreditando que esse seria apenas mais um momento normal da sua vida e que não precisaria se esforçar tanto para conseguir qualidade no que faz. E, veja só, o segundo momento do seu texto meio que justifica esse pensamento.


Afinal, Sarah menciona que nunca foi de receber muitos elogios ou promessas de que tudo daria certo – e quem de nós recebe esse tipo de promessa quando revelamos nossas escolhas de carreiras e elas são diferentes das que as pessoas esperam que a gente tenha, não é mesmo? Sarah revela que teve que trabalhar duro para conseguir seu espaço no meio da atuação, mas que ficava até dois anos sem trabalhar em nada entre um projeto e outro. Eventualmente, acabou aceitando papéis que a maioria não aceitaria, como o de 12 Anos de Escravidão, em que interpreta uma mulher racista, papel que lhe rendeu críticas dos amigos, o que a deixou “perplexa”, conforme suas próprias palavras. Mas aponta esse como o momento em que finalmente “conseguiu” o que queria.

Outro ponto importante dos seus conselhos vem quando ela menciona que “é preciso seguir uma estrada que não leve à Julia Roberts”. Seu exemplo é apenas uma metáfora: o que Sarah Paulson quer dizer aqui é que, assim como ela própria, muitos passam a vida toda tentando fazer qualquer atividade que outras pessoas bem sucedidas já fazem executando-a exatamente como a pessoa em questão executa – no caso dela, a Julia Roberts. Para alguns, pode ser que esse caminho leve ao sucesso, embora esse não seja tão sólido quanto o que Paulson defende aqui. Aliás, nesse momento, ela menciona que foi justamente por ter perdido tanto tempo copiando alguém que acabou não percebendo que sua carreira poderia dar certo mesmo sendo de um jeito diferente. Um jeito que pertence apenas a ela.

Até aqui, já quebramos (na verdade, ela quebrou) uma boa quantidade de paradigmas apresentados e reforçados na grande maioria das palestras que prometem levá-lo ao sucesso, mas ainda é preciso quebrar mais um, talvez o mais determinante deles: é preciso aprender a dizer não.

E Sarah aprendeu isso na marra; durante um tempo, ela faria qualquer coisa só para não ser esquecida e para ter um emprego, imaginando que era a quantidade de trabalho prestado que definia o sucesso de alguém. Traduzindo para o nosso mundo real, seria o equivalente a ter vários anos em uma mesma empresa, exercendo funções muito parecidas, não? Depois de todo esse tempo, Sarah vê que o sucesso está em simplesmente poder dizer não a um trabalho porque ele não “fala” com ela, porque não é o que ela tem vontade de fazer, e aí está algo que muitos de nós ainda teme fazer: dizer não.

Seria por que estamos todos acostumados com a ideia de que para agradar alguém temos que concordar com tudo aquilo que esse alguém diz? Acredito que sim, e até posso me usar como exemplo. Mas é preciso um pouco de sinceridade consigo mesmo para que se possa levar a sério e, consequentemente, permitir que alguém te veja da mesma forma. Uma frase da Sue Sylvester, de Glee, ilustra bem isso: “Você sabe quando foi que eu finalmente passei a gostar de mim mesma? Quando parei de tentar te agradar”.



É interessantíssimo ler conselhos assim, tão desprendidos dos argumentos lugar-comum com os quais estamos acostumados, porque muitas vezes são eles que nos fazem perceber que nem sempre estamos errados por fazer as coisas como pensamos em fazer. Veja aonde a Sarah Paulson chegou, por exemplo! Recebendo seu primeiro Emmy por sua atuação em American Crime Story aos 41 anos e acreditando estar exatamente onde deveria estar! Não é inspirador?


Talvez seja hora de pararmos de exigir tanto de nós mesmos, em resultado às cobranças que recebemos daqueles que admiramos tanto. Precisamos lembrar que a pessoa mais importante para nós mesmos somos nós mesmos e se não nos sentimos bem fazendo algo, talvez seja melhor parar de fazê-lo. Ou pelo menos aguardar até o momento certo para retomá-lo.
Aliás, cheguei a mencionar que um dos conselhos de sucesso de carreira que a Sarah Paulson tem para nos dar consiste em tirar cochilos?



Mia Fernandes
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