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pen pals #1: lorena pimentel

Eu sentia falta de trocar e-mails com meus amigos. Creio que a última mensagem desse tipo que minha caixa de entrada viu, foi lá no ano de 2010. Por isso, resolvi criar um novo projeto em que eu trocaria e-mails por uma semana com um amigo. A ideia era conversar um pouco do que estávamos fazendo, assistindo, lendo, criando e depois compartilhar toda essa troca no meu blog.

Minha primeira cobaia para esse experimento em resgatar conversas longas na internet, foi a Lorena Pimentel da Revista Polén. Durante uma semana, nós conversamos sobre muitos seriados, a relação entre depressão e expressão artística, trabalho em grupo, cólica, as casas de Hogwarts dos personagens de Parks and Recreation, crushes das Olímpiadas e muito mais!

Já vou avisando de antemão que a troca de e-mails foi extensa (o que era a ideia desde o princípio), mas garanto que vale a pena ser lida. Olha só:

de: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
para: Lorena Pimentel
data: 9 de agosto de 2016 11:04
assunto: Projeto Inominável

Oi, Lorena! Tudo bem?

Em primeiro lugar, queria dizer que estou muito feliz por você topar participar desse projeto (que no exato momento ainda não possui um nome definido). Como te expliquei anteriormente, a premissa é simples: quero trocar e-mails contigo durante uma semana e conversar sobre a vida, o universo, cultura pop e tudo mais.

Como anfitriã (na falta de um título melhor) é meu dever começar a falar um pouquinho sobre o que ando fazendo:



​Estou revendo BoJack Horseman. Comecei a assistir tudo novamente, já que eu queria escrever um post para o meu blog sobre como essa animação mexe comigo. Você já viu a terceira temporada? Em minha opinião, é uma das temporadas mais realistas que já vi em minha vida.
Sei que parece um pouco estranho falar sobre realidade em um desenho animado sobre um cavalo que também é uma estrela decadente de Hollywoo(d), mas eu nunca senti tanta empatia por um personagem antes em minha vida. Ele é cheio de falhas e eu diria que em alguns momentos, consegue até mesmo ser bem odioso, mas a "humanidade" em suas ações me impressiona.

Ele é cheio de vícios, falhas, tem um compasso moral bem errado e mesmo assim, dá pra se enxergar nele o tempo todo: essa vontade de ser melhor, de tentar seguir o caminho certo e acabar optando pelo mais fácil, ver como as ações dele acabam afetando todos que estão a sua volta e etc...
Enfim, eu recomendo essa série fortemente*.

​Outra coisa que fiz recentemente, foi tirar um dia para assistir todos os filmes do Homens de Preto. Eu havia me esquecido o quanto o primeiro era bem engraçado (e não havia assistido o segundo e o terceiro até então).
Sempre adorei o conceito de uma agência secreta que lida com alienígenas.
O mais engraçado é que eu não sabia (ou não me lembrava) que os filmes são baseados em uma história em quadrinhos (!).

Eles foram publicados lá no início dos anos 90 (!) pela Aircel Comics (que posteriormente foi adquirida pela Marvel Comics) e a capa do primeiro volume não é exatamente como eu esperava.
Não sei se você está familiarizada, mas juro que essa capa é bem parecida com os pôsteres daqueles filmes exploitation. Não sei se é o tipo de coisa que eu conseguiria apreciar.

​Enfim, o que você anda fazendo de bom? Está acompanhando as Olimpíadas? Eu só assisto alguns jogos/partidas/lutas/apresentações de relance, já que enfiei na minha cabeça que sou pior que o Mick Jagger pra esse negócio de azar.
Sempre que paro de assistir, acontece algo fenomenal e eu sei que isso só aconteceu porque eu me afastei da televisão.

Fico no aguardo pra saber quais são as novidades da sua vida!

*BoJack pode ser um pouco triggering, já que eles falam de vários temas bem pesados.

Beijos,
Monique

de: Lorena Pimentel 
para: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
data: 9 de agosto de 2016 15:41
assunto: Re: Projeto Inominável

Oi,

Você não é a primeira pessoa que me indica BoJack Horseman. Inclusive a própria Netflix toda hora fala que tenho que ver. Mas justamente por achar que pode ser algo trigger, eu tenho evitado até agora. O jeito com que eu lido com triggers em séries e filmes é o oposto do que faço com livros e músicas, o que eu acho interessante.

Quando fico na bad ou tenho algum tipo de crise de saúde mental, pode até ser que eu escolha um livro cheio de sentimentos (inclusive criar uma estante pra isso no Goodreads) ou só ouça playlists temáticas no Spotify. Mas séries e filmes eu tento fazer o oposto. Numa dessas eu vi Arrested Development inteira uns anos atrás.

Sobre MIB: eu tenho a sensação que a diferença de idade sutil entre eu e alguns amigos da internet faz com que algumas coisas culturais dos anos 90/2000 tenham se perdido. Toda a fase scifi/aliens que todo mundo parece ter tido (olá, X-Files) eu nunca tive. O que eu acho algo até meio fofo, pensar em como uns poucos anos entre amigos agora não faz muita diferença, mas na época fazia muito pro nosso consumo cultural. Eu falei com uma amiga outro dia sobre Stranger Things e essa vibe anos 80 sobrenatural. Ela, que é tipo 3 anos mais velha que eu, ainda teve narrativas assim na infância dela. Eu não.

Eu não ando vendo Olimpíadas por motivos de não ter televisão, mas confesso que leio todos os posts do BuzzFeed sobre o assunto. Todo o conteúdo televisivo fica melhor em gifs, devo dizer.


E ah, tenho visto Degrassi: Next Class. Degrassi é aquela coisa de ser tipo o tumblr before tumblr even existed, mas essas temporadas da Netflix são ainda mais, mas no bom sentido. Altas problematizações e tal. A S1 foi bem legal e teve discussão de assuntos pesados como a questão de ser mulher na internet e segurança. Acabei de começar a S2 e parece que tá indo pelo mesmo caminho. Assim, essa série/novela sempre foi bem avançada nas discussões (há muitos anos eles já falaram de coisas como gravidez na adolescência, assédio sexual, questões do corpo, etc), mas essa incorporação da vida digital (cyberbullying, mulheres na tecnologia, apps de namoro, etc etc) faz com que continue sendo bem atual.

Enfim, logo no começo da temporada temos uma discussão importante sobre racismo e simbologia que muita série adulta merecia ouvir. Claro, Degrassi pode te ruma moral bem na cara de vez em quando, mas é muito boa em trazer à tona os assuntos.

E ando revendo Gilmore Girls. Estou terminando enquanto te escrevo esse e-mail e pensando em escrever textos sobre como a sétima temporada é ótima e injustiçada pelo fandom. Mas, enquanto isso, fico amando os personagens pela milésima vez que assisto <3

Ah, seguindo minha missão de ver coisas-que-todo-mundo-vou-menos-eu: Friday Night Lights, Twin Peaks ou Buffy?

Preciso de uma série pra alternar com meu rewatch de The West Wing (que eu ainda defendo como uma das melhores coisas que a televisão já em proporcionou) e queria aproveitar pra ver alguma delas hehe

Beijos,

Lore



de: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
para: Lorena Pimentel 
data: 10 de agosto de 2016 11:02
assunto: Re: Projeto Inominável

Eu entendo perfeitamente o seu receio quanto à BoJack Horseman. Aliás, sempre que estou em um estado emocional mais delicado, evito qualquer tipo de mídia que possa agravar a situação. Nem ao menos consigo consumir algo novo. Prefiro ficar assistindo em loop eterno as temporadas de Modern Family, Um Maluco no Pedaço e Archer. Melhor forma para evitar qualquer tipo de dano emocional é me apegar forte ao que já estou bem familiarizada.

Nunca havia parado para pensar como quem cresceu nos anos 90 tem essa herança cultural (?) de alienígenas. Eu lembro quando acompanhava religiosamente Arquivo X na Rede Record (na época eu nem sonhava em ter televisão a cabo em casa). Isso tudo sem contar a enxurrada de filmes sobre o tema: Independence Day, Marte Ataca!, Contato, Prova Final e a lista é tão extensa que eu precisaria de mais uns dois e-mails para citar tudo.

Sei que quem cresceu nos anos 80 vivia com o medo iminente de uma guerra nuclear. Todo o entretenimento da época parecia de uma forma ou de outra, explorar esse medo (bem real) que só crescia no imaginário das pessoas. Acho que o mesmo ocorreu com os anos 90 e os alienígenas: todo mundo entrou fortíssimo na vibe do I Want to Believe (e a paranoia foi tão grande que chegou até aqui no Brasil, vide o infame ET de Varginha).

Quanto às Olimpíadas: é muito melhor acompanhar pela timeline, não é? Meus amigos são bem mais sagazes em suas observações do que qualquer comentarista profissional (e também tem o uso ilimitado de memes pra galera).


Eu assisti alguns episódios aleatórios de Degrassi na Netflix, mas preciso confessar que não estava 100% sóbria (ou seja não lembro completamente sobre o que se tratava). Mas eu adoro essa nova vibe dos seriados pré-teens. Sinto que eles estão educando muito bem a próxima geração.
Outro que acredito que siga uma linha bem parecida é Girl Meets World.
Recentemente, fiz uma maratona das duas temporadas que estão disponíveis na Netflix e fiquei bem impressionada com os temas abordados. Eles falam sobre apropriação cultural, bullying (btw, chorei dois litros e meio com esse episódio), autismo (outro episódio que me fez chorar) e muitos outros temas sensíveis que precisam ser discutidos com essa nova geração.

Me lembro muito bem do rage que o fandom sentiu durante a sétima temporada de Gilmore Girls, mas acredito que isso tenha uma explicação: o sentimento de assistir uma série semanalmente por anos a fio e (re)ver tudo de uma vez é bem diferente. Os fãs estavam acostumados com certas narrativas que os acompanharam por anos e é óbvio que quando mudaram os showrunners, o tom também ficou bem diferente.

Acredito que o choque para quem acompanhava a série semanalmente e tinha certas expectativas é sempre bem maior.

Pude vivenciar isso recentemente com How I Met Your Mother. Essa é uma série que acompanhei desde sua estreia e que sempre foi minha prioridade. Eu vi tudo se desenrolar semanalmente, torci pelo desenvolvimento dos meus personagens favoritos em todas as temporadas, fiquei na ansiedade por conhecer a "mãe"...aí no último episódio, fiquei com a sensação de que havia sido traída.

Precisei de muitos meses para ter coragem de rever o seriado novamente. Quando finalmente o fiz, não senti o mesmo impacto com o series finale. Parecia fazer mais sentido? Ficou bem mais claro para onde a história estava me levando quando revi tudo de uma vez. Foi um sentimento completamente diferente.
Eu acho que deveríamos rever todos os nossos seriados favoritos. É incrível como nossa interpretação muda com essa experiência.

Você acredita que eu NUNCA vi The West Wing? Quer dizer, assisti alguns episódios aleatórios na televisão, mas acredito que esse é o tipo de série que merece ser vista por inteiro. Estou certa? Será que vou curtir?
 
Sou um pouco suspeita para opinar sobre qual deveria ser o próximo seriado que você precisa ver, mas acho que Buffy the Vampire Slayer é tão icônico e importante que deveria ser a primeira opção na sua lista*.
Eu cresci brincando de Buffy com as minhas amigas (e eu sempre fui a Willow) e esse seriado teve uma grande participação na formação do meu caráter. Recomendo bastante 10/10.

*Twin Peaks é tão importante como. Mas eu acho que o legado de Buffy na cultura pop é tão grande que a experiência será bem mais enriquecedora.

Beijos,


Monique

de: Lorena Pimentel 
para: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
data: 10 de agosto de 2016 18:53
assunto: Re: Projeto Inominável

Oi miga,

Então, eu entendo total o que você quis dizer sobre GG. Eu via semanalmente, mas naquele esquema que a tv brasileira da década passada nos proporcionava. E eu era criança. Mas rever tudo ano passado e rever de novo agora me fez ter bem mais carinho pela sétima temporada. Tem coisas que são OOC e meio fora mesmo, mas tem umas cenas lindas também. E bastante amorzinho.

Não é o mesmo tipo de sentimento que tenho por HIMYM. Inclusive essa eu peguei ódio não porque teve uma mudança de foco, mas porque essa mudança aconteceu lá no final da final, o que meu que fode o canon de nove anos e me fez querer matá-los. Até hoje nunca vi um episódio.

Modern Family é comfort tv show, né? Tipo, é engraçada sem ser (muito) problemática, tem personagens fofinhos, sem grandes dramas de ships e com muitos sentimentos bons. É minha favorita do repeat de sitcoms do bem.

Concordo com você sobre as séries pré-teen. Ainda que eu tenha passado dessa fase da vida (ainda bem, né?), eu ainda vejo algumas. Vi Girl Meets World também porque amo/sou Boy Meets World (tá aí uma maratona que eu sugiro) e achei um amor, porque eles realmente colocam em pauta alguns assuntos que poucas séries, inclusive pra adultos, colocam. O da apropriação cultural é ótimo. E Degrassi talvez faça mais sentido não estando sóbria, mas é legal mesmo assim. Segue a mesma vibe problematizadora, mas (porque afinal, não é Disney Channel) envolve questões de sexo e relacionamentos pra um público mais velho.

The West Wing é excelente e recomendo muito, mas é do tipo que requer comprometimento. E é bem sobre política, então tem que gostar desse assunto. Mas tem ótimos personagens, ótimo storytelling e ótimo cast.



Eu tenho uma pergunta pra você: você já pensou que tentamos nos categorizar demais entre pessoas dos livros, pessoas das séries, pessoas dos filmes, etc? Eu sempre tive essa identidade "curte livros" e curto mesmo, tanto que foi isso que motivou a Pólen. Mas aí, em algum momento durante uma ressaca literária, eu notei que estava vendo várias séries. O que é bom, em teoria, porque curto séries e tem tantas pra ver.

O problema foi que eu comecei a me sentir culpada por não estar lendo livros e estar vendo séries. O que é idiota, se parar pra pensar. Porque não é como se um tipo de narrativa tivesse maior valor intrínseco que o outro, ou como se eu só lesse livros bons e visse séries ruins. Muito pelo contrário. Mas foi interessante notar que porque eu tinha assumido essa identidade de amante de livros, eu sentia que não podia amar tão livremente outro meio de cultura.

Hoje, só acho que sou amante de cultura pop mesmo. Sejam livros, podcasts, séries, filmes, o que surgir na minha frente e for legal.

Beijos,


Lore

de: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
para: Lorena Pimentel 
data: 11 de agosto de 2016 17:16
assunto: Re: Projeto Inominável

O que eu sinto por Modern Family é exatamente o que você disse: é comfort tv. Apesar de acompanhar muitas comédias (acho que é meu gênero favorito), vira e mexe fico frustrada com algum furo no plot, com queerbaiting (cof, cof, 2 Broke Girls) ou algum episódio problemático. Não é que Modern Family esteja imune a tudo isso, mas eles fazem comédia parecer tão descomplicada e eu gostaria muito que o gênero todo seguisse esse exemplo.


Eu entendo bem essa raiva de HIMYM já que a compartilhei por um bom tempo. O seriado não seria ótimo se terminasse com aquela cena do Ted conversando com a Tracy debaixo do guarda-chuva? Sério, não precisava de mais nada.
Aliás, já parou pra pensar como isso deve ser complicado do ponto de vista do storyteller? É óbvio que esse final foi planejado desde a primeira temporada da série (já que eles precisaram gravar cenas com os filhos antes que eles crescessem), entretanto, como se conta uma história durante tanto tempo, com tanto desenvolvimento de personagens e ainda é possível se apegar ao final que eles planejaram lá em 2005?

O que será que é mais importante: contar a história que eles sempre planejaram ou deixar que a história evolua por si só até o dia da sua conclusão? - por exemplo, acredito que o pessoal de LOST tomou essa segunda decisão e não deu muito certo.

Sobre esse negócio de "pessoa que curte livros", "pessoa que curte filmes", "pessoa que curte seriados" e etc...Eu compartilho um pouco do seu problema. Passei boa parte da minha vida na companhia de livros e me sinto traindo o movimento já que hoje em dia, eu assisto muito mais seriados do que qualquer outra coisa.

Em minha defesa, eu acho que tudo tornou-se bem mais acessível. Antigamente, mesmo sem muito dinheiro, eu poderia visitar a biblioteca da região e pegar o livro que eu quisesse. Como eu não tinha tv a cabo, seriados eram meio que fora de cogitação. Cinema era algo para ocasiões especiais.

Hoje em dia, o nosso acesso à todas outras coisas está bem mais simplificado. O que realmente é um desafio é conseguir manter sua atenção focada em alguma coisa por muito tempo (o que talvez dificulte o hábito da leitura). Pra você ver como minha mente funciona, quando vou assistir um filme, geralmente faço a conta pra ver quantos episódios de algum seriado eu conseguiria ver nesse meio tempo.
Única coisa que essa facilidade de acesso ao mundo me trouxe de negativo foi que eu agora tenho o attention span de um peixinho dourado.

Já que você mencionou podcasts, preciso te recomendar um que me fez rir/chorar bastante ontem de madrugada: ele se chama Crybabies. São duas apresentadoras e um convidado, discutindo tudo o que os fez chorar durante a semana/vida. Como a boa chorona que sou, me reconheci demais nisso e agora só consigo me imaginar em um episódio contando sobre como a primeira vez que chorei de verdade foi com o filme do Pokémon e deste então, nunca mais parei de chorar.

Enfim, o que você anda fazendo de bom? Como está sua semana até agora?

Beijos,

Monique

de: Lorena Pimentel 
para: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
data: 11 de agosto de 2016 18:41
assunto: Re: Projeto Inominável

O interessante e trágico de HIMYM é que nem mudou de showrunners nem nada, tipo, não tinha o menor motivo pra isso acontecer? Porque assim, se o objetivo era ser Ted/Robin no fim (o que uuuugh, mas esse nem é meu ponto), tinha tantos caminhos melhores pra fazer com que isso rolasse, sabe? O buildup da Tracy foi exagerado pro pouco que ela existiu. Eu fiz um texto sobre isso lá na Pólen e é o texto mais controverso que a gente teve, mas cara, ela virou muito plot device. E a Robin mesmo, merecia algo melhor do que uma finale assim. Eles perderam muito a mão, porque poderia ter tido um desenvolvimento melhor do ship ou então foda-se, vamos acabar diferente.

Você tem razão sobre essa questão de consumo de conteúdo. Eu nem sempre tive tv a cabo, mas livros eram mais fáceis de conseguir. Fora que não tinha toda a vantagem da internet, Netflix e tals, você dependia das emissoras resolverem passar. Agora, com possibilidade de maratonar as coisas, é bem mais fácil consumir e ao mesmo tempo ficamos nessa coisa de consumir muito e muito rápido.

Vou procurar esse podcast, Tô sempre ouvindo novos, porque como discutido acima, tenho attention span minúscula, mas adoro ouvir diversas coisas enquanto to no ônibus, antes de dormir e essas horas perdidas da vida.

Minha semana anda bem ok. Não das melhores na questão de saúde mental (talvez TPM não esteja ajudando), mas vi e li várias coisas e minha melhor amiga de infância - que morou fora nos últimos anos pra graduação e logo vai morar fora de novo pra pós - me mandou um inbox dizendo que tava em SP pra gente se ver logo. Ela não é muito do tipo internet, o que era ok quando éramos quase vizinhas, mas agora dificulta nossa comunicação. A gente se fala de vez em quando, porque ao contrário da minha pessoa ela trabalha a estuda com algo bem offline e não usa redes sociais o dia todo (bioquímica, no caso), mas hoje ela me mandou fotos da viagem que fez e ficamos conversando um pouco. Sempre me anima falar com ela, porque é essa coisa de alguém que te conhece desde sempre.

E tenho escrito também. O que é uma coisa bem rarar na minha vida. Eu até que escrevo bastante coisa pra Pólen (era parte do objetivo quando criamos o projeto), mas quase nunca escrevo criativamente. Comecei um roteiro no Camp NaNo agora em julho e não terminei, mas to mexendo com ele agora. Tem sido uma experiência em um formato que até então desconhecia.

Também to lendo o manuscrito de uma amiga pra ajudar na revisão e editando o vídeo de outra amiga pra um trabalho de faculdade. Eu adoro editar vídeos, é muito terapêutico. Editei muito durante o TCC e achei que ia odiar pra sempre, mas nope, continuo curtindo (só não consegui criar coragem pra ajustar os vídeos do TCC em si ainda, mas acho que é porque preciso de distância do semestre, não da atividade de editar em si).

Tem sido uma semana de criatividade, acho. Você sente uma conexão entre saúde mental ou falta dela com nível de criatividade? Eu me sinto péssima por isso, mas é inevitável que eu escreva mais quando to na bad. Claro que aí odeio tudo que escrevo, mas posso editar quando não to na bad depois.

E sua semana, como tá?

Beijos,


Lore

de: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
para: Lorena Pimentel 
data: 12 de agosto de 2016 18:00
assunto: Re: Projeto Inominável

O que mais me doeu era que eu sempre tive muito medo de não curtir a mãe. Era tanta expectativa em cima desse personagem, que eu já estava preparada para rejeitá-la com todas minhas forças, eis que surge a Tracy e ela é perfeita. O final que reservaram pra ela foi muito frustrante. Juro que até aceitaria um divórcio na boa. Na minha cabeça, ela está viva, bem e tocando com a banda dela pelo mundo todo.

Eu sempre curti muito podcasts. Meu único problema com eles é que desde que comecei a trabalhar em casa, eu o faço assistindo Netflix (ou seja, não rola tempo para colocar os podcasts em dia como rolava quando trabalhava fora). O tempo que tenho para me atualizar é um pouco antes de dormir e mesmo assim fica complicado, já que eu sempre caio no sono.

Outra recomendação que tenho para dar é Oh No Ross and Carrie. Escutei um episódio ontem, achei a premissa bem original e os apresentadores bem engraçados. Eles basicamente tentam todo tipo de tratamento holístico, pseudocientífico, absurdo e depois relatam como foi a experiência no podcast.
Eu preciso que alguém faça uma versão brasileira disso urgentemente!

Acredito que tenho muita sorte por morar no mesmo local desde que nasci. Meus amigos ainda são os mesmos. Mesmo que alguns não sejam tão "vidrados" em internet, é só eu descer alguns lances de escada para conversar. O problema foi que recentemente uma das minhas melhores amigas (desse grupo que mencionei) foi morar em Curitiba e ela é bem avessa ao Whatsapp (e eu não tenho mais perfil no Facebook).
É muito complicado quando pessoas que estamos tão acostumadas a conviver saem do estado, né? A saudade não é algo que uma viagem simples de ônibus resolva. Queria ficar rica de uma vez e visitá-la uma vez ao mês.

Eu já vi (e li sobre) muitas pessoas que funcionam bem melhor criativamente quando estão deprimidas. Queria ter essa "vantagem", pois pelo menos eu tiraria algo bom desses momentos. Fico completamente imprestável. Não consigo escrever, nem socializar, não quero sair da minha cama e se eu sair, sei que vou me envolver em algum comportamento destrutivo (binge drinking, por exemplo).
Acho meio fascinante quem consegue encontrar energia produtiva em meio ao caos. Eu só consigo piorar o caos pré-existente.

Essa semana está sendo bastante produtiva pra mim (o que obviamente só pode significar que estou num momento bom psicologicamente falando). Estou querendo me dedicar ao blog e colocar todas as minhas ideias e projetos no ar. Isso sempre foi um assunto delicado pra mim: sou uma pessoa cheia de projetos mirabolantes de dominação mundial, mas por conta da autossabotagem, não consigo levar nada do que começo pra frente.

Por conta disso, eu sinto que a minha vida é um eterno "potencial não alcançado". Ultimamente estou lutando bastante pra reverter essa situação. Não quero mais encontrar desculpas para nada. Será que eu consigo? Acho que só o tempo dirá mesmo...

Mas me conta, quais são seus planos para o final de semana?

de: Lorena Pimentel 
para: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
data: 12 de agosto de 2016 22:19
assunto: Re: Projeto Inominável

Mas é uma questão também. Tipo, abraçar o caos ou tentar vencê-lo? Acho que depende também, né? Estado de depressão pode deixar impossível fazer qualquer coisa produtiva, mas estado de mania costuma me fazer querer fazer tudo ao mesmo tempo e acabar exausta. Depende muito e nenhum deles é muito bom, um é só mais socialmente aceito.

Eu tenho tentado evitar esse negócio de potencial não-alcançado também. Porque sou megalomaníaca, crio várias ideias enormes na cabeça e preciso ser detida antes que tente levar coisas demais. No momento, a Pólen tá com um projeto mega-secreto, mas trabalhar nele tá me deixando mais feliz porque to fazendo o que gosto e ajuda no nosso plano de dominação mundial, mas é colaborativo com tipo outras 10 pessoas, então não sou só eu sendo a louca, tem migas junto. Acho que isso ajuda.



Minha vibe do final de semana é comemorar os dez anos de Step Up e ver (inclusive é o que to fazendo agora pela magia de duas telas. Depois seguirei a vibe década passada com Bring it On, porque nada me deixa mais feliz que filmes adolescentes antigos (Bring it On foi um dos primeiros filmes assim que vi, eu tinha uns 8 ou 9 anos e aluguei na Blockbuster). Daí amanhã e domingo devo interagir com familiares, porque isso é o esperado de nós. Devia escrever a newsletter dessa semana, mas não vai estar rolando.

Espero que seu fim de semana seja bom.

Beijos,

Lore

de: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
para: Lorena Pimentel 
data: 13 de agosto de 2016 19:57
assunto: Re: Projeto Inominável

Eu às vezes sinto que não tenho essa escolha. Não sofro com períodos de mania, então, a vida pra mim é um eterno regular a dosagem do remédio pra poder ter coragem de levantar da cama. Aliás, já viu as imagens abaixo? Acho que são de um comercial (se não me engano). É exatamente assim que me sinto no dia a dia:


Aliás, aproveito o espaço para indicar esse artigo ótimo sobre o assunto: Treating Mental Illness Doesn't Ruin Creativity.​

​Eu não sei se me descreveria como megalomaníaca. Quer dizer, quando estou trabalhando, acabo sempre assumindo mais responsabilidades do que consigo aguentar, mas nos meus projetos pessoais vou bem devagar (até demais). Creio que trabalhar por conta própria atrapalha bastante na hora de fazer planos para dominar o mundo.
Hoje o blog tem um colaborador fixo (que é maravilhoso e topa todas as minhas maluquices), mas eu adoraria ter mais pessoas para dividir meus planos de dominação mundial. Eu sinto que realmente é bem fácil quando trabalhamos em equipe.

Quanto ao meu final de semana, quase que esse e-mail não vê a luz do dia. Passei o sábado inteiro em posição fetal, chorando com uma das piores cólicas que já senti na minha vida. Depois de me dopar com muito remédio, estou aqui comendo um Habibs e planejando o que vou assistir na Netflix (aliás, eu amo Bring it On, já vi todos e sou fã até daquele com a Ashley Benson que é bem ruim).
Nem posso planejar nada para o meu domingo, pois tudo depende de como acordarei amanhã. Queria muito juntar umas amigas e ir para o parque caçar Pokémon (e pegar umas pokebolas, já que tive que gastar um dólar pra não ficar sem nenhuma essa semana), mas acho que terei que adiar esses planos para a próxima semana.

Ah! Não posso encerrar esse e-mail antes de recomendar um seriado que assisti inteiro na última madrugada: Dead of Summer. Ele se passa em um acampamento, no final dos anos 80 e é uma mistura de suspense com sobrenatural. O comecinho é um pouco devagar, mas os últimos três episódios exibidos lá fora, me fizeram dormir com a luz acesa.
Outra coisa que adorei é que tem um personagem homossexual (que é meu favorito), um rapaz trans (que é interpretado por uma atriz cis - nem tudo é perfeito) e em cada episódio, eles mostram um flashback de um personagem. Isso obviamente deixa tudo BEM PIOR, já que você fica mais apegada do que esperava e acaba sofrendo muito quando alguém morre.

Enfim, espero que o restante do seu final de semana seja mais divertido que o meu. Vou pegar minha bolsa de água quente e torcer para a dor não voltar.

Beijos,

Monique

de: Lorena Pimentel 
para: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
data: 13 de agosto de 2016 22:55
assunto: Re: Projeto Inominável

Eu tenho mais estado de mania do que estado de depressão. Não muito agradável porque fico exausta, mas c'est la vie, né, meu cérebro é problemático e só dá pra ir controlando isso. E nossa, esse texto é muito bom, porque é uma real, a gente sente que esse tipo de coisa incentiva a criatividade, mas claro que não, ele só mascara criatividade mais produtiva. E sem contar que mesmo que eu produza muita coisa, não costuma ser algo legal. Acho que equilíbrio gera coisas melhores na vida, qualquer seja a parte dela.

Amiga, estamos em sintonia. Fui no mercado ontem, de repente comecei a sentir dor nas pernas e quando cheguei em casa: HÁ, CÓLICAS MORTAIS. Fiquei horas deitada com o notebook em cima da barriga e tomando chocolate quente. Eu felizmente tinha comprado leite sem lactose no mercado, aí pude apelar pra comfort food.


Eu aprendi uma coisa na faculdade que só percebi recentemente: adoro trabalhar em grupo. Sofria muito na escola com isso - criança nerd com coleguinhas que não faziam nada, yada yada - mas aí na vida mais adulta percebi que se trabalho com gente com que me identifico, seja pra vida acadêmica ou coisas profissionais, me sinto bem melhor. Sou do tipo colaborativo, sabe? Metade disso é a insegurança, preciso que os amigos me digam que to fazendo coisas direito. O resto é aquela vibe de dividir as boas e as bads com alguém que entende. Foi um sofrimento fazer TCC sozinha (regras da USP e tals) mas pelo menos fiz ao lado de migos que tavam na mesma e a gente via os trabalhos uns dos outros e tentava ajudar no que fosse possível.

Vou voltar pro meu Netflix du jour. To tentando ver The Get Down, ainda não muito animada, talvez acabe voltando pra melhor série que to vendo, The Americans, mesmo. Veremos.

Beijos,


Lore

de: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
para: Lorena Pimentel 
data: 14 de agosto de 2016 18:27
assunto: Re: Projeto Inominável

Eu sempre fui (muito) viciada em energético para ter pique pra aguentar o dia todo. Uma vez tomei um litro inteiro e não conseguia parar de tremer. Também estou em busca de uma vida mais equilibrada e eu daria tudo para encontrar algo natural que fosse capaz de aumentar minha produtividade/suavizar essa vontade que tenho de passar minha vida toda deitada.

Pra mim, a pior parte das cólicas, é que não tenho tolerância à dor.  A minha tolerância é tão baixa que sempre que sinto dor, eu vomito.Ontem, por exemplo, só consegui me alimentar depois da medicação (experimentei um remédio novo - ibuprofeno - chamado Alivium e ele é maravilhoso demais). Vejo várias meninas falando sobre comer chocolate durante a menstruação para aliviar os sintomas e só fico invejando de longe. Infelizmente, menstruação pra mim não tem comfort nada pra consolar.

Preciso fazer uma confissão: não sei trabalhar em grupo. Tenho uma mania (péssima) de assumir todas as responsabilidades e não deixo ninguém fazer mais nada (aí tem as pessoas que se aproveitam disso). Eu sou metódica demais e fico de cabelos em pé quando vejo algo que sai fora do meu padrão.
Entretanto, eu sinto falta de trabalho colaborativo. Sentar em uma mesa com outras pessoas e fazer um brainstorm. Ter alguém como parceiro para trocar experiências e checar como anda o progresso de nossos respectivos projetos.


Ano passado, eu li o livro da Felicia Day e lembro de uma passagem em que ela conta sobre um grupo de amigas (todas com seus projetos) que se reuniam para discutir as coisas e acompanhar o progresso uma das outras. Ela diz que foi só assim que ela tomou vergonha na cara para escrever The Guild (depois de enrolar muito, é claro).
É isso que eu sinto falta: um grupo de amigas que também gostem de criar coisas para nos encontrarmos semanalmente (mesmo que por Skype) para discutir, fazer brainstorm e basicamente ser cheerleader uma da outra. Eu acho que se vivêssemos de acordo com a Shine Theory, nossa vida seria bem melhor.

Depois de passar quase uma hora olhando toda a lista de filmes e séries que salvei para assistir, acabei optando pelo primeiro episódio de Stranger Things. Eu adorei (amo a vibe anos 80), mas prometi que assistiria tudo com a minha mãe, então vai demorar um pouquinho para que eu consiga terminar a primeira temporada.

Amanhã eu quero começar uma nova rotina. Quero criar hábitos mais saudáveis e ser mais organizada/produtiva. Baixei dois apps (o Cal e o Any.DO - ambos da mesma empresa e com sincronização) e fiz uma lista de todos os afazeres + rotina para a segunda-feira. Preciso tirar mais proveito do meu dia. Não posso passar tanto tempo olhando para o teto. Chega de procrastinar e sentir dó de mim por tudo aquilo que eu poderia alcançar e ainda não consegui.


Deixo aqui uma sabedoria do meu spirit animal, Chris Traeger:


de: Lorena Pimentel 
para: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
data: 15 de agosto de 2016 00:51
assunto: Re: Projeto Inominável

Esse livro da Felicia Day eu tenho vontade de reler toda hora, comprar milhares de exemplares e espalhar a palavra dela por aí. Felicia Day <3

Eu tenho zero tolerância a cólica também (várias vezes passei mal de tanta dor na época da escola) e não sou muito boa em lidar com isso além de deitar e querer estar morta.

Eu sinto falta desse negócio de estar com migas (especialmente irl) e discutir coisas, ficar brainstroming e tal. Acho que ajuda pelo menos a fazer com que planos megalomaníacos sejam menos megalomaníacos. Ou pelo menos sejam megalomaníacos mas um pouco mais alcançáveis.

Minha vibe de fim de domingo é ver temporadas anteriores de Degrassi (as que não tem na Netflix, infelizmente) e um leak de baixa qualidade de Suicide Squad, Depois de todo mundo odiar, eu fiquei com mais vontade de ver. Imagino que vá odiar também, mas Margot Robbie é minha nova crush então vamos nessa, né?

Em tempo: crushes olímpicas, estou colecionando. Cada dia tem uma pessoa bonita na TV/nos gifs da timeline, impressionante.

Chris Traeger é a melhor pessoa e Parks é a melhor coisa que já existiu na TV. Discorra sobre a casa de Hogwarts de Leslie Knope? Eu e uma amiga estamos discutindo sobre isso.

Beijos,


Lore

de: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
para: Lorena Pimentel 
data: 15 de agosto de 2016 18:34
assunto: Re: Projeto Inominável

Amiga, aproveita que você é megalomaníaca e cria um espaço de coworking virtual para as minas. Acho que a internet toda precisa de um grupo seguro para trabalhar colaborativamente com criatividade (e eu obviamente participaria).

Ontem prometi que dormiria cedo e tudo mais, só que deu tudo errado. Passei a madrugada inteira acordada, assistindo Supernatural e ouvindo podcasts. Como resultado disso, depois do almoço eu estava esgotada e precisei dormir. Como é que faz pra desenvolver disciplina com horários? O horário para dormir ainda é o pior pra mim (e se eu piso na bola aqui, isso acaba estragando o dia todinho).

Sobre crushes olímpicas: ainda estou me recuperando depois de querer casar com todo mundo na cerimônia de abertura. Minha delegação favorita foi a Itália, por motivos de beleza infinita. IMAGINA PODER PASSAR DUAS SEMANAS MORANDO SÓ COM GENTE LINDA? Seria tipo um sonho da minha vida. Não precisava ganhar medalha nenhuma. Aliás, acho que eu não precisaria mais de nada, viveria eternamente na lembrança desse momento.


Eu adoro e me identifico MUITO com o Chris Traeger. Quando pessoas com doenças da mente são representadas em trabalhos de ficção, geralmente apelam muito para o clichê: não levanta da cama, não quer ter amigos e não quer viver a vida. Apesar dessa descrição representar muitas pessoas, nem sempre é o caso.
Pessoas que - aparentemente - são felizes e tem uma rotina saudável também podem sofrer com depressão, trauma e etc...Esse também é o caso da Kimmy Schmidt (de Unbreakable Kimmy Schmidt).
Eu acho muito interessante quando abordam essas doenças com essa perspectiva de: ei, pode acontecer até com aquele raio de luz que está sempre rindo e feliz.

“It's easy to think, Well, I am not crying all the time, so I don't have depression, or, in Kimmy's case, I am capable of moving forward with my life, so I can't have PTSD,” says Jenny Jaffe, founder of Project UROK, a non-profit organization that works to destigmatize mental illness. “Unbreakable Kimmy Schmidt does a great job of showing how our ideas about what mental illness looks like can prevent us from seeking treatment.”

(x) Trecho extraído desse artigo maravilhoso: The Powerful Lesson I Learned From Kimmy Schmidt.

Agora, voltando para Parks and Recreation, vamos falar sobre a casa de Hogwarts da Leslie Knope:


Por um lado, é óbvio que ela é Grifinória (até a mesma falou isso em um episódio), já que é corajosa, não tem medo de defender o que acha que é nobre e digno e não poupa esforços para tornar o mundo inteiro em um lugar melhor.
Mas o que eu acho é que a Leslie pode representar (ao extremo) as principais características de todas as casas. Ela tem essa ambição sem freios que é típica da Sonserina, a inteligência e dedicação da Corvinal e o jeito que ela trata as pessoas (principalmente seus amigos), a colocariam na Lufa-Lufa.

Aliás, aproveitando para continuar a brincadeira de chapéu seletor:
Ron Swanson - Grifinória (?)
Andy Dwyer - Lufa-Lufa
Ben Wyatt - Corvinal 
April Ludgate - Sonserina
Ann Perkins - Grifinória/Corvinal
Tom Haverfrod - Sonserina
Chris Traeger - Grifinória/Lufa-Lufa
Donna Meagle - Grifinória (mas eu também aposto em Corvinal)
Gary Gergich - Lufa-Lufa

Não dá pra acreditar que esse é o penúltimo e-mail que mando para você (ao menos dentro do Projeto Inominável). Essa semana foi tão divertida e sentar por um minutinhos para pensar sobre tudo o que vi, assisti, li, ouvi e poder compartilhar com alguém, foi uma ótima experiência. Acho que todos deveriam seguir esse exemplo e trocar mais e-mails com seus amigos virtuais.


Beijos,
Monique

de: Lorena Pimentel 
para: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
data: 15 de agosto de 2016 20:51
assunto: Re: Projeto Inominável

Se eu manjasse de tecnologias, faria isso. Por enquanto, só conto com a colaboração das migas pra responder wpp quando to tendo crises criativas ou algo assim hm

Minha crush olímpica do dia é a Katie Ledecky. Talvez por ela ter causalmente nadado mais que todo mundo e ter só 19 anos, mas eu fico tipo "amiga, apenas pare de humilhar o resto do universo". No dia da abertura eu nem sabia qual delegação tinha mais gente crush material, era uma grande demostração de beleza hehe

Sobre Kimmy Schmidt: eu detesto muitas coisas nessa série, mas é inegável que o jeito com que tratam saúde mental é bem compreensivo e bem melhor que em outras séries. Essa coisa da narrativa envolver alguém feliz e geralmente positivo como alguém que sofre na saúde mental é bem importante. Porque doenças mentais não têm rosto, sabe?


E Parks, bom, eu coloquei Leslie como Grifinória porque acho ela teimosa e narcisista e determinada, o que eu acho que combina com a minha casa hehehe e bem badass no meio dela. Minha amiga disse que ela é lufana, mas não sei, acho que de todas, acho a Lufa-Lufa a casa menos Leslie Knope. Ela é inteligente e dedicada pra Corvinal, ambiciosa af pra ser Sonserina, mas não acho ela paciente e justa pra ser lufana. Ok que ela é leal, but then again, também são características gryffs/slyths. Não sei, acho que ela é  pessoa menos chill do departamento.

E concordo com suas outras teorias sobre os outros personagens. Só não sei sobre o Ron. Ela é bem de explorar as coisas e isso pode fazer dele Grifinório, mas sinto que ele talvez fosse mais Corvinal, por gostar de estar sozinho e ser mais focado e menos descontrolado e sde dividir as coisas. Tom é o perfeito Sonserino <3

E eu ando curtindo também. Esse negócio de e-mails tem se tornado mais frequente na minha vida, com a newsletter e com minha nova mania de mandar longos emails sentimentais pras amigas. Acho que é o tipo de comunicação que nos ajuda a resgatar contatos irl, sei lá. Claro que gosto de ter conversa aberta no wpp ou inbox com amigos, até pela resposta mais rápida, mas é legal manter uma thread de emails, ainda que demore mais o contato, pra poder expandir os assuntos.

Tenho que ir, vou ter que fazer a coisa que mais odeio nessa vida editorial internética: programas posts. Godto de editar e ler coisas ótimas que o pessoal escreve, mas ficar programando é a morte. Oh well.

Beijos

Lore

de: Monique Lagune <conversaimaginaria@gmail.com>
para: Lorena Pimentel 
data: 16 de agosto de 2016 17:55
assunto: Re: Projeto Inominável

Já que você mencionou crush e olimpíadas, me sinto na obrigação de compartilhar: vários artistas da Marvel reimaginaram atletas (e outras mulheres consideradas como influencers) como super heroínas e eu preciso que alguém escreva uma fanfic sobre cada uma. Minha prioridade número um é uma origin story sobre a Air Apparent (Simone Biles):

clica aqui pra ver a galeria completa (x)
Nem acredito que esse é o último e-mail do projeto. Em geral, estou muito feliz, já que ele deu bem certo e foi exatamente o que eu havia imaginado. Acho que depois de passar uma semana conversando com você, também sai um pouquinho mais megalomaníaca.
O que eu mais gostei na experiência de trocar e-mails, justamente é que não existe esse imediatismo que temos com Whatsapp, Facebook Messenger e etc...Gostei de ler a mensagem, pensar no que a pessoa me disse e poder reservar um tempo só para responder. Como pessoa que sofre com ansiedade, esse foi um ótimo exercício para organizar meus pensamentos, sem o desespero de "preciso responder isso imediatamente ou o mundo vai acabar!!!!!!11111centoeonze". 

Aliás, esse projeto precisa de um nome, não é mesmo? No começo, estava pensando em algo como "fan mail", já que falaríamos bastante sobre cultura pop, mas acho que se tornou algo muito além disso. O que você acha de "Pen Pals"? É simples e captura bem o conceito. 

Enfim, foi um prazer poder trocar esses e-mails. Eu sinto que conheci um pouco mais sobre você (e espero que possa dizer o mesmo sobre mim). Sempre que quiser desabafar, falar sobre a vida ou qualquer coisa, minha caixa de entrada está aberta!

Beijos,
Monique

Imagens: Freepik, BoJackHorseman Site Oficial, Hollywood Reporter, Disney, Shutterstock, CBS, Hollywood Life, Nerdist, Netflix e ESPN
Mia Fernandes
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