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life is strange


Podemos começar dizendo que Life Is Strange é mais um entre centenas de jogos recém-feitos no formato “Telltale”, gênero que ficou bastante popular na nova geração de consoles após o lançamento do dito genial The Walking Dead, mas que se consagrou de verdade após esse mesmo título ter angariado diversos prêmios como melhor jogo do ano em várias premiações especializadas em games. Estamos falando aqui de um jogo que não tem gráficos de encher os olhos, como os de outros jogos lançados na mesma época, e que também não possui um gameplay tão complexo (o que pode atrair gamers menos experientes). Estamos falando de um jogo no formato Telltale, ou seja, um conto no formato de videogame.

Para quem não conhece o gênero (ou para quem simplesmente não es-tá por dentro do mundo dos games), jogos nesse formato, que costumam ser lançados em episódios, como séries de TV, focam sua atenção no enredo, que muitas vezes pode ter qualidade superior à de muitos outros games mais famosos ou mais caros. Você, o jogador, até pode andar com o personagem por cenários bonitos e resolver alguns puzzles, mas não pode se esquecer: o foco aqui é a história.


Para alguns (principalmente para aqueles que não se dedicaram em descobrir jogos do gênero), pode parecer que um jogo assim, no formato de drama interativo, como também pode ser chamado, não possui muitos atrativos ou desafios. Alguns deles podem até estar corretos, mas jogos desse tipo (e estou falando não só de Life is Strange, mas também do próprio The Walking Dead), são capazes de emocionar a ponto de fazer muitos chorarem, sem brincadeira. Também é fascinante o fato de o enredo poder ter acontecimentos diferentes entre os jogadores, pois permite que a história seja única para cada um. Para isso, jogos assim usam e abusam da lei da causa e consequência e podem até te colocar diante de situações críticas, que o farão pensar até sobre suas escolhas de vida.

Que o diga quem jogou o quarto episódio de Life is Strange, não?
Life is Strange é um jogo em terceira pessoa, no aclamado formato telltale, em que o jogador controla uma garota chamada Max em sua rotina escolar e em sua vida pessoal. Há grande atenção para sua amizade com Chloe, que é retomada quando Max presencia o seu assassinato no banheiro feminino da escola em que estudam. Mas como é que a amizade pode ser retomada quando uma delas morre?, você que não conhece o jogo deve estar se perguntando, e eu explico: nesse momento desesperador, Max descobre que pode voltar no tempo e evitar a morte da amiga de infância. A partir daí, voltar no tempo se torna sua ferramenta de trabalho para fazer com que as coisas aconteçam ou não, e isso pode gerar consequências leves ou severas no desenrolar da sua história, recurso que o jogo utiliza com maestria em grande parte do seu desenrolar.

LIS pode não ter tomado pra si todos os prêmios da indústria dos games, como The Walking Dead fez, apesar de ter sido indicado em grande parte deles, mas seu trabalho ao trazer novos fãs para esse formato de jogo foi muito mais notável do que o de TWD ou de outros jogos da empresa Telltale Games. Com o advento da fama de jogos em episódios e com escolhas cheias de consequências, a categoria de repente se viu saturada de jogos parecidíssimos com TWD, o que tornou o lançamento de Life is Strange, em 30 de Janeiro de 2015, uma onda de frescor para o meio.

Primeiro porque LIS trazia uma história inteiramente nova, ao invés de ser mais um spin-off de séries de TV ou de grandes filmes do cinema. Segundamente, Life is Strange pôs o jogador em um ambiente comum, uma escola de ensino médio no meio de uma cidade litorânea, Arcadia Bay, recheando-o de situações extremas e impactantes em meio a diálogos marcantes e momentos de calmaria. Seu roteiro tratou de suicídio, traição entre amigos, relações amo-rosas conturbadas e perda de entes queridos de maneira profunda e envolvente, mas também falou de amor, amizade e companheirismo, de um jeito que só um jogo preocupado com o próprio roteiro poderia fazer.

E foi exatamente o que os desenvolvedores de Life is Strange fizeram. Reza a lenda que a pequena equipe da Dontnod Entertainment, preocupada com a qualidade do jogo, dedicou boa parte do seu orçamento ao seu roteiro e aos atores de dublagem, que deveriam ser excepcionalmente bons em um jogo cujo foco está voltado para a própria história. O sacrifício e os esforços deram resultado: LIS foi indicado ao The Game Awards, considerado o Oscar dos games, nas categorias de Melhor Atuação em jogos, com a performance da personagem Chloe, e de Jogos para Impacto, que foca em games que pensam em fazer a diferença em âmbito social – e nessa categoria o prêmio foi seu.

Junto com os prêmios (e ouso até dizer que isso aconteceu antes deles), Life is Strange ganhou fama, milhões de jogadores ao redor do mundo e uma fanbase sólida, que aguarda ansiosamente por uma continuação do jogo, que ainda não se sabe se vai acontecer. Mesmo assim, basta dar uma olhada nas fotos de cosplayers de qualquer evento de cultura nerd e tenho certeza de que você vai encontrar a Max ou a Chloe (e muito provavelmente as duas juntas) encenadas por fãs.


Isso porque Life is Strange conseguiu ser único quando isso parecia impossível no meio em que se encontrava, trazendo uma proposta incrível com um gameplay simples.
Para aqueles que já conhecem e finalizaram o jogo há bastante tempo, pode parecer estranho eu estar escrevendo sobre esse assunto agora, mas uma notícia recente deu novo fôlego ao jogo e alegrou a muitos dos seus fãs: há uma série de TV (ou filme, eles ainda estão se decidindo) live-action baseada no jogo a caminho, o que, por si só, considerando que o jogo é relativamente novo, deixa clara a importância que o game teve e a influência que ainda tem sob o público gamer. Não há como concluir Life is Strange e dizer que esse é só mais um jogo telltale como todos os outros: ele foi feito para emocionar e foi muito bem sucedido nisso.


Para quem quiser sentir pela primeira vez ou apenas relembrar o clima do jogo, segue a playlist oficial com a trilha sonora de Life is Strange. Diga se ela não é ótima para embalar um desses fins de tarde ensolarados, quando estamos sem vontade de fazer nada?


E para quem se interessou pelo jogo, ainda que ele não seja tão caro (eu mesmo paguei R$ 40,00 no conjunto dos cinco episódios na época), saiba que o seu primeiro episódio está de graça nas lojas online do Xbox e do Playstation para compra.



P.S.: Para os que já jogaram, é impressão minha ou o jogo te obriga MESMO a querer escrever fanfics yuri shippando a Max e a Chloe?


Mia Fernandes
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