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cinema: o esquadrão suicida


As críticas destruiriam a reputação do filme Esquadrão Suicida, que estreou no último 4 de Agosto aqui no Brasil. Ou será que ajudaram a construí-la?

Fato é que, dois ou três dias antes dessa estreia, os principais portais de notícias gringos começaram a oferecer seus pareceres sobre o filme e, devo dizer aqui, nenhum foi animador. As chamadas eram criativas; houve quem dissesse que os vilões de Esquadrão Suicida até podiam ser maus, mas que o filme era pior, por exemplo (um bom trocadilho, na minha opinião). Mas uma coisa que todas tinham em comum era a certeza de que não seria dessa vez que os filmes da DC voltariam a fazer a diferença no cinema.

Esquadrão Suicida prometia muito com uma história que tinha tudo para ser sensacional: quando o mundo é ameaçado por uma entidade antiga, que planeja construir uma máquina de destruir humanos com a sua magia, o governo não vê alternativa para impedir esse plano de ser concluído senão convocar um esquadrão formado com o pior tipo de vilão que existe pros lados de lá, sob a justificativa de que há neles algo que não há em heróis como Superman e Batman – confesso que não lembro ao certo o quê é, e vocês não podem me julgar por isso. O filme apresenta seus personagens em um ritmo animado e divertido, recheado de músicas clássicas e conhecidas, e então os coloca para guerrear!



E o filme é basicamente isso.
E talvez por isso tenha sido tão criticado. A impressão que fica é a de que os produtores passaram mais tempo preocupados com o visual dos personagens do que com o desenvolvimento da história. Esse tipo de coisa funciona muito bem com linha de brinquedos, não com filmes. Há boatos de que o roteiro de Esquadrão Suicida foi escrito em seis semanas, às pressas, porque a Warner tinha feito uma promessa de data de estreia e queria cumpri-la a qualquer custo. Mas essa seria apenas mais uma de uma série de lendas urbanas que ainda seriam espalhadas sobre a sua produção.


Além daquelas que dizem que Jared Leto, caracterizado como o Coringa fulltime, enviara presentes estranhos aos seus colegas de cena e a que diz que os atores principais tatuaram uns aos outros com uma referência ao filme, a principal delas foi a de que o filme tinha passado por diversas refilmagens de última hora. Com que razão? Eu explico.

As críticas em cima de Batman Vs Superman, que consistiram em dizer que o filme se levava a sério demais e que, por isso, era chato, acabaram por atrapalhar o seu desempenho em bilheteria, que arrecadou pouco mais de 700 milhões de dólares mundialmente, quando outro filme lançado na mesma época e com temática bastante parecida (Guerra Civil) conseguiu os seus mais de 1 bilhão de dólares. Motivadas por isso, as refilmagens de Esquadrão Suicida tiveram intenção de deixar o filme mais engraçado do que era, porque, ao que parece, todas as piadas do filme estavam em seu primeiro trailer, o que, se for verdade, é bem engraçado de imaginar.


Tudo isso resultou em um filme com piadas bem aleatórias em momentos que não pediam isso. Para mim, a impressão que ficou foi a de que a Harley Quinn, personagem de Margot Robbie, só serviu para prestar esse serviço, o de carregar os momentos cômicos do filme. E mesmo assim nem são piadas tão legais, e você acaba se forçando a rir só pra descontrair um pouco. São tipo aquelas piadas de assistente de palco de um talk show, que acabam atrapalhando o trabalho do apresentador principal (por que eles ainda insistem nisso?).


Mesmo assim, Harley Quinn é uma das melhores personagens do filme, porque refresca um conjunto de atores muito semelhantes – não em visual, em atuação. Conheço pouco da história original de Esquadrão Suicida, mas qualquer pesquisa de imagens no Google deixa claro que os personagens que vemos no filme puxaram pouca coisa dos personagens de origem. Posso por exemplo mencionar o Capitão Bumerangue, interpretado por Jai Courtney, que no filme é um cara boa pinta, ladrão de banco, com sujeira espalhada no rosto, quando suas imagens de HQ mostram um personagem bastante caricato, que usa bumerangues como arma principal. No filme, seu bumerangue só é percebido de verdade quando é usado para carregar uma câmera de espião – que não gira junto com ele (#fail).

Porque, resumidamente, Esquadrão Suicida é um filme de tiro, como aqueles filmes de guerra. De um lado, temos os inimigos, e, no outro, um monte de vilão/herói muito bem vestido descarregando pentes e mais pentes de bala a esmo, como aconteceria em uma partida de Call of Duty. Não sei vocês, mas, em tempos de filmes épicos como Os Vingadores (sim, vou citar esse filme aqui, sinto muito!), eu esperava um pouco mais de apelo visual, algo surpreendente. O apelo visual que há nesse filme, sinto muito em dizer, está somente no visual da Harley Quinn e na quantidade de pele que ela mostra durante suas cenas.

Mesmo assim, as mulheres do filme são o que ele tem de melhor. Não por causa da hipersexualização da Harley Quinn (que, na verdade, tentou ser evitada nos trailers, em que seu shorts foi aumentado digitalmente), mas por causa da sua dedicação com a personagem. Viola Davis como Amanda Waller é inspiradora e excepcional (ainda que o roteiro a coloque sempre em lugares e situações meio Wtf? o tempo todo, o que até rende uma piada do Pistoleiro, personagem de Will Smith, próximo ao final do filme). Já Cara Delavigne, como vilã, no corpo de Magia, tem uma performance interessante, cheia de trejeitos e de visual bacana. Fica difícil saber ao certo o que ela planeja ou porque as coisas aconteceram do jeito que aconteceram, mas suas aparições são marcantes.

Enquanto Will Smith faz o que já está acostumado a fazer. De todos os personagens, o Pistoleiro é o único que tem um apelo emocional coerente, baseado na relação do vilão com sua filha, uma menininha, que até exerce uma influência na história. Li um tweet que fazia piada com isso, dizendo que o Will Smith só deveria fazer personagens com filhos pequenos, porque é isso o que ele faz de melhor. E não é que faz sentido?

Em resumo, sabemos do que o Esquadrão Suicida se trata já no começo do filme: o governo une um esquadrão denominado Força Tarefa X para derrotar um inimigo poderosíssimo! Sendo assim, suas duas horas de filme são o desenrolar disso; acompanhamos a caminhada que esses poderosos vilões fazem até o objetivo e é isso aí. Faltou dedicação na criação da coisa toda, o que faz com que personagens morram sem que o público dê a mínima. Talvez se não fosse comparado a filmes de super-heróis mais recentes, não teria sido tão rechaçado quanto foi, porque Esquadrão Suicida é divertido, afinal. Só não é tudo isso que essa expectativa criada desde 2014 nos fez esperar. Faltou qualidade e dedicação.


Só não mencionei muito o Coringa durante o texto porque, bem... Ele não tem muita importância na história, mesmo. Suas aparições são bagunçadas e cheias de furos. Seu visual é interessante e a atuação do Jared Leto é bastante teatral (o que, às vezes, o faz destoar dos seus colegas de trabalho), mas o texto que sai da sua boca e as atitudes que o personagem toma já não fazem sentido se o filme for analisado isoladamente, mas fazem ainda menos quando sua relação com a Harley Quinn é comparada com à da HQ e desenhos, que não é um romance YA que o filme dá a entender que é.



Filme à parte, sua trilha sonora oficial foi lançada para compra e stream e é sensacional a ponto de conseguir liderar o topo das paradas de venda de álbuns em sua semana de estreia! Para quem curte músicas badass e épicas (clima do qual o filme não compartilha muito, o que é uma pena), o álbum é uma pedida e tanto!




Imagens: Empire UK e Warner Brothers.
Mia Fernandes
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