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reflexões sobre a amizade


Sob o prisma científico, cada ser humano é único por suas características genéticas e psicológicas. Então, qual a explicação lógica para a necessidade quase voraz que possuímos pela adequação e socialização?

Desde o momento em que nascemos, somos inclusos em círculos sociais que acabam por ditar muitos de nossos dogmas e paradigmas. Ainda que alguns tenham a infelicidade de desenvolver a antropofobia em algum ponto da vida, estamos indubitavelmente destinados a padecer em uma selva de egos pela eternidade humana.

Um dos primeiros contatos sociais que um ser humano tende a fazer é com a própria família. Incumbidos de instituir valores e ser um pilar emocional para muitos, nossos elos familiares são responsáveis por muitos aspectos subsequentes da nossa vida social.
Entretanto, existe uma diferença implícita entre nossas relações familiares e a selva de egos. Enquanto uma é um tratado social baseado na vivência diária e aprendizado contínuo, a outra torna-se um pacto de sobrevivência em que muitas vezes o aprendizado é sobrepujado pelo gozo próprio.

Uma vez livres na supracitada selva de egos, tendemos a buscar uma forma de refúgio que aumente nossas chances de sobrevivência na mesma. Buscamos nossos iguais para que nos auxiliem nos mais diversos aspectos de nossa singular existência. Tal como disse Voltaire em Dicionário Filosófico:


Por mais piegas que tal alegoria possa soar, amigos acabam por tornar-se a família que escolhemos no mundo. Os amigos nos acolhem, nos fazem sentir confortáveis e preocupam-se com nosso bem estar.
Por lhe acolher, o seu amigo não necessariamente passará a mão na sua cabeça quando você estiver errado. Seus verdadeiros amigos serão os primeiros a aumentar o tom de voz para ressaltar que não é assim que o mundo funciona. Por mais incômodo que possa ser, seus amigos lhe contarão a verdade e tentarão restaurar as noções de bom julgamento que existem dentro de você.
Um amigo nunca irá rir da sua dor por mais patética que ela possa ser. Todavia, um amigo pode também lhe provocar uma dor a qual você não imaginava ser capaz de suportar. Só uma verdadeira amizade pode causar uma dor tão real.

Existem pessoas pelas quais eu iria até o fim do mundo se assim fosse necessário. Amizades que resistem à distância, às rusgas e à toda inveja de um mundo banal. Os laços de sangue fazem com que eu ame minha família num limite surreal, porém, a convivência com meus amigos fez com que eu aprendesse a amar e respeitar o outro como a eu mesmo.
Mia Fernandes
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