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as poetisas que você precisa conhecer


Meu gosto por poesia não surgiu do dia para noite. Ao contrário, quando eu era mais nova, desprezava (!) o gênero acreditando que fosse uma forma muito simplória de literatura.
Precisei de muita maturidade para entender o quão equivocada estava. A arte de escrever em versos é incrível e deve ser apreciada.

Se você não está familiarizada com (ou se por algum motivo não aprecia) a poesia, aproveite essa oportunidade para conhecer melhor algumas das minhas poetisas favoritas. Espero que as palavras poderosas dessas mulheres consigam te tocar da mesma maneira que me tocaram.

Canção de Amor da Jovem Louca

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro 
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer 
(Acho que te criei no interior da minha mente) 

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis, 
Entra a galope a arbitrária escuridão: 
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro. 

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama, 
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para 
a insanidade. 

(Acho que te criei no interior de minha mente) 

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo 
do inferno: 
Retiram-se os serafins e os homens de Satã: 

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro. 

Imaginei que voltarias como prometeste 
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome. 
(Acho que te criei no interior de minha mente) 

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão 
Pelo menos, com a primavera, retornam com 
estrondo 

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro: 
(Acho que te criei no interior de minha mente) 

Nunca mais!

Ó castos sonhos meus! Ó mágicas visões!
Quimeras cor de sol de fúlgidos lampejos!
Dolentes devaneios! Cetíneas ilusões!
Bocas que foram minhas florescendo beijos!

Vinde beijar-me a fronte ao menos um instante,
Que eu sinta esse calor, esse perfume terno;
Vivo a chorar a porta aonde outrora o Dante
Deixou toda a esp'rança ao penetrar o inferno!

Vinde sorrir-me ainda!Hei-de morrer contente
Cantando uma canção alegre, doidamente,
A luz desse sorriso, ó fugitivos ais!

Vinde beijar-me a boca ungir-me de saudade
Ó sonhos cor de sol da minha mocidade!
Cala-te lá destino!... "Ó Nunca, nunca mais!..."

Eu Me Levanto

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.
Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.
Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.
Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?
Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.
Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.
Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?
Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.
Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.

O Momento

O momento quando, após muitos anos

de trabalho duro e uma longa travessia

te encontras no centro do teu quarto,

casa, meio acre, milha quadrada, ilha, país

sabendo por fim como lá chegaste,

e dizes, eu possuo isto,


é o mesmo momento em que as árvores desatam

os seus macios braços em teu redor,

as aves retiram a sua língua,

as falésias fissuram e colapsam,

o ar vem devolvido de ti como uma onda

e tu não consegues respirar.


Não, murmuram eles. Tu não possuis nada.

Tu foste um visitante, uma e outra vez

subindo a colina, cravando a bandeira, proclamando.

Nós nunca te pertencemos.

Tu nunca nos encontraste.

Foi sempre o contrário.

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Agora eu quero saber: você lê poesia/poemas? Quem são suas poetisas favoritas? Me conte tudo nos comentários!
Mia Fernandes
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