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as fases de um coração partido


Minha primeira (e óbvia) reação é colocar toda a culpa em mim. O que eu fiz de errado? Como é que estraguei aquilo que parecia ser tão promissor?  Os próximos dias são perdidos em um vórtex de lágrimas, sorvete e mensagens de áudio pontuadas por soluços para todas as minhas amigas.

Quando meu corpo já está em um estado simbiótico avançado com o meu colchão, um estalo de lucidez passa pela minha cabeça: o que diabos estou fazendo? Eu não tive culpa nenhuma. Ele nunca esteve tão interessado assim e isso diz muito mais sobre ele do que sobre mim.
É nesse momento que me levanto, coloco aquele salto alto que ele nunca gostou e vou encarar a vida. Nas primeiras horas ainda é dolorido. Toda música me lembra um momento nosso. Todo cara de cabelo preto que passa de relance faz o meu coração diminuir.

Como é que pude achar que já estava pronta para outra? Vou pra casa, segurando lágrimas no banco de trás de um táxi, enquanto tento resistir à tentação de enviar uma mensagem com a única pergunta que ocupa a minha mente: Por quê?

Eu começo a relembrar de nossos momentos com uma agradável nostalgia. Como você sempre me fazia rir, a maneira que segurava a minha mão enquanto falava ao telefone, o cheiro de seu perfume nas minhas roupas e as nossas piadas internas que não tinham graça para ninguém (nem para nós mesmos). Me apego no que foi bom e oblitero cada um dos seus erros.

Segundos depois, estou ouvindo música alta e dançante que descreve o quanto eu não preciso de você e de ninguém para ser feliz. Eu sou uma mulher independente, coisa e tal. I'm a survivor, keep on surviving! Vou para bares, beijo outras bocas, choro no banheiro, tomo outra dose e recomeço o processo que é te arrancar de mim. Eu vou conseguir. I could have another you in a minute, matter of fact, he will be here in a minute.

No outro dia, conforme eu navego pelos efeitos da ressaca física e emocional, percebo que tudo o que me disseram sobre corações partidos é mentira. Não se destrincha uma dor em fases. Ela vem como ondas: existem dias de calmaria e momentos de tormenta. Fases em que eu acho que nunca mais vou precisar dele e delírios embriagados que me fazem querer socar objetos inanimados.

Mas dentre todos esse momentos, sabe qual é a única verdade? Que eu sei que um dia vai doer menos. Um dia eu me importarei menos. E no momento que isso finalmente ocorrer, sei que estarei pronta. Pronta para amar outra pessoa? Talvez. Mas definitivamente pronta para reconhecer que meu amor verdadeiro sempre esteve ao meu lado, afinal de contas, o meu maior amor sou eu.
Mia Fernandes
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