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você não precisa amar tudo

- Você pre-ci-sa escutar essa música, amiga!
-  Vou escutar sim! Espera aí.
*quinze minutos de uma excruciante lobotomia musical depois*
- E aí, o que você achou? Não é a música mais maravilhosa do mundo? Não é a sua cara? 
- Err...opa, claro. Amei!

Quem é que nunca se pegou concordando com alguma preferência bizarra de um amigo/conhecido/crush, somente para não passar pelo stress de explicar em minúcias o seu desgosto? Nos últimos tempos, eu adotei uma atitude para evitar qualquer tipo de conflito: sempre concordar silenciosamente e evitar a fadiga de horas de discussão (que nunca tem uma conclusão, reparem só!).

A princípio, minha tática funcionou maravilhosamente bem. Eu raramente perdia o meu tempo tentando explicar o motivo por trás da minha aversão por pizza e só respondia: queijo, quando alguém perguntava o meu sabor favorito.

O único revés dessa atitude é que assim se iniciou um período em minha vida, em que todas as atividades tinham um estranho aspecto de forçadas.

Eu frequentava lugares que odiava. Bebia coisas que com 100% de certeza me fariam passar mal. Ouvia músicas que não faziam nenhum sentido para mim. Cheguei ao ponto até de mudar de perfume - só para agradar ao gosto alheio.

Creio que além de querer evitar confrontos óbvios, lá no meu âmago, tudo o que eu queria era ser aceita pelos outros. Não é maravilhoso quando você consegue se encaixar na multidão?
Para uma garota que sempre foi muito isolada como eu, isso se tornou um parâmetro de sucesso.
Mas honestamente, se aquela garotinha que sempre foi muito isolada por seus gostos diferentes encontrasse com essa Monique que simplesmente se conforma, será que ela teria orgulho?

Com esse pensamento, eu iniciei uma pequena revolução em minha vida. Comecei, muito educadamente, a dizer não para tudo o que eu não gostava. É óbvio que minha nova atitude foi um choque para quase todo mundo: mas espera aí, você tem certeza que não gosta de pizza? Você tem alguma doença?
Entretanto, eu nunca me senti tão livre e confortável com a vida.

Dizer sim e topar o desconhecido é uma forma de se aventurar. Mas persistir em certas coisas - que você claramente não gosta - é abrir mão da sua personalidade.

Como sou a maluca das listas, isso me motivou a compilar tudo o que eu não gostava e que fazia com certa frequência. Essa lista é um lembrete diário de que eu não vou mais fazer aquilo que é esperado de mim. Eu vou fazer o que eu gosto. Vou fazer aquilo que sou.

Alguns exemplos daquilo que eu não amo:

- Bebidas destiladas: Eu não tenho estômago para tal. Parece que estou tomando fogo em forma líquida.
- Virar a noite na balada: Lá pelas duas da manhã, eu estou cansada e prefiro estar dormindo/vendo Netflix.
- Dirigir: Já prometi que enquanto viver em São Paulo, não existe nenhum motivo para dirigir.
- Baladas: Não gosto de lugares em que eu não consigo ouvir as pessoas.
- Viajar de avião: Sim, eu tenho medo.
- Pipoca: Ao menos que seja doce.
- Água de coco: Só me lembra a vez que fiquei desidratada e sobrevivi só disso por dias.
- Verão: Se vocês me verem falar as palavras "projeto verão" novamente nessa encarnação, podem me estapear.

Enfim, agora eu quero saber: o que você não ama? (mas por algum tempo fingiu amar só pra não fugir do hype?). Me conte tudo nos comentários!

Arte: Kelly Reemtsen.
Mia Fernandes
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