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é sempre mais escuro antes do amanhecer


Escolher qual será o meu próximo passo é uma tarefa que consegue drenar minhas energias. Eu fico sempre presa nas vírgulas, nos hipotéticos “E se...” e em uma esperança que é tão cega que se torna teimosia.

Em retrospecto, não consigo me lembrar de uma situação em que eu tenha voluntariamente renunciado algo ou alguém. Gosto de fantasiar que sou uma mulher bem resolvida, que sabe bem o que deseja e que não tem medo de dar a cara à tapa.
O que eu nunca havia entendido, é que posso ser tudo isso e também saber quando é hora de dizer adeus ao que não me faz bem.


Resolvi que escreveria esse texto para expor a minha maior fraqueza: essa dificuldade inumana de compreender quando tudo deve terminar. Essa persistência sem sentido que me é natural, constantemente me impede de tomar a iniciativa em dizer adeus.
Dizer adeus não é desistir. Dizer adeus não é abrir mão de algo pelo qual batalhou tanto. Dizer adeus não é sinal de que tudo deu errado.

Saber a hora de partir, é transbordar tanto com amor próprio que já não sobra tempo ou espaço para continuar andando em um beco sem saída.



Então, eu fiz um pequeno desvio na rota. Voltei para aquela grande avenida onde residem minha identidade, meus sonhos e projetos. Quero andar um tempinho por ela, explorar melhor cada canto desconhecido e doar os meus próximos passos para tudo que me transforme em alguém melhor.
Pode ser que um dia eu me depare com o beco sem saída novamente e encontre uma portinhola para o outro lado. Pode ser que meu destino esteja em alguma outra rua por aí.

Somente assim, me permito novamente pensar nas vírgulas, nas hipóteses e ter uma esperança que já não é mais cega: é viva e cheia de possibilidades boas. E tudo isso só aconteceu quando aprendi a dizer adeus.

PS: Esse texto foi um pequeno desabafo sobre a minha semana que está sendo cheia de despedidas. Minha cabeça está a mil, mas garanto que também está repleta de coisas boas e projetos maravilhosos para o blog - só para esclarecer que eu nunca diria adeus para esse sonho.
Mia Fernandes
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