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as blogueiras: anna vitória

Olá, meninas!

É com muito prazer que apresento a entrevistada de hoje da série "As Blogueiras", a Anna Vitória do So Contagious é uma das minhas blogueiras favoritas! Eu a (re)conheci em um grupo de Nerdfighters em que estávamos compartilhando nossas @ do Twitter.
Quando fui seguir a Anna, descobri que já estava acompanhando os seus tweets há um tempo e que ela era a mente criminosa genial por trás do So Contagious.

Portanto, nem preciso dizer que é uma honra muito grande poder compartilhar com vocês esse papo sobre escrita, criatividade e mulheres empoderadas, né? Olha só como foi:


1. Anna, é muito visível em seus posts que você tem um talento nato para a escrita. Como nasceu essa paixão?
Primeiro: obrigada <3 A paixão por escrever nasceu da minha paixão por ler. Eu gosto de ler desde que aprendi a ler. Sou filha única e fui uma criança muito tímida e introvertida, então sempre encontrei nos livros uma forma de experimentar o mundo de um jeito que não me assustava tanto ou então de fugir dele quando era necessário. Acho que todo mundo que gosta muito de ler sempre pensa em escrever, nem que seja pra desistir logo em seguida. Comigo foi muito natural, com 8, 9 anos eu já inventava histórias, tive um grupo de teatro com minhas amigas na quarta-série, onde a gente mais escrevia do que encenava, e com 11 anos comecei meu primeiro "livro" - que eu nunca acabei, mas que passou das 100 páginas. Com o tempo fui vendo que não era tão criativa assim, então quando descobri os blogs vi ali uma chance de escrever usando minha vida e as coisas que eu gostava como matéria-prima, e estamos assim desde então.

2. Como funciona seu processo criativo? Onde você busca inspiração?
Como é meu processo criativo: não tem processo criativo, hahaha! Como eu disse, comecei a escrever muito nova, então sempre foi uma coisa meio instintiva, ter uma ideia e colocar ali no papel. Faço assim até hoje. É claro que existem situações diferentes: às vezes estou indo dormir e um texto me vem INTEIRO na cabeça, é só eu abrir o Word e ele jorra de mim, como se fosse outra pessoa ditando e eu só copiando. Às vezes começa de um tema, "hm, vou escrever sobre guarda-chuvas" ou uma frase que me vem na cabeça e aí eu construo o resto em cima dela. Como eu escrevo principalmente no meu blog pessoal, blogs pessoais de outras pessoas costumam me inspirar bastante, mas uma coisa que nunca falha são meus livrinhos de crônicas do Antonio Prata e do Vinícius de Moraes. Acho que eu tenho um jeito de ver as coisas parecido com o dos dois, e lê-los sempre me deixa inspirada, com vontade de transformar as ideias em algo mais que isso. Mas tirando isso não tem muita regra e nem manual. Ano passado tentei participar do NaNoWriMo e lendo os fóruns do programa fiquei apavorada com as pessoas falando sobre estruturar histórias, escrever um roteiro, linha do tempo, rascunhar o básico da cena antes de escrever... Nunca tinha ouvido falar sobre isso, foi um novo mundo. Pra mim, até então, era só sentar e escrever, hahaha!

3. Você optou pela faculdade de Jornalismo, não é? Qual área desta carreira mais te interessa? 
Sim, estudo Jornalismo e ainda existe uma parte de mim ultra romântica que sonha dois sonhos lindos (e praticamente impossíveis): ser jornalistona estilo Gay Talese que vai pra lugares inimagináveis procurar histórias improváveis e escrever sobre elas, ou então dar uma de William Miller (de Quase Famosos) e escrever sobre música, shows, essas coisas. Essa parte de jornalismo literário e cultural é algo que já me chamava atenção antes do curso e são as coisas que eu mais gosto de fazer. Mas são sonhos, né? Pensando com os pés no chão, durante o curso me interessei muito pela área de ciência e tecnologia, fiz uma iniciação científica sobre comunicação pública da ciência e jornalismo científico, um ramo em que caí de paraquedas e acabei gostando muito. Minha monografia provavelmente deve seguir essa linha, e eu acharia bem daora trabalhar na área da ciência.

4. Recentemente, você fez um post maravilhoso sobre feminismo. Como você acha que a sororidade transformou sua vida? 
De novo: obrigada <3 <3 foi muito importante pra mim ter escrito aquilo, então o feedback é sempre muito especial! Acho que eu tive o privilégio de sempre ter vivido a sororidade na prática, ainda que eu não soubesse o que era isso. Eu sempre tive mulheres importantes na minha vida, e sempre tive melhores amigas. Às vezes uma, às vezes várias, mas sempre tive ao menos uma garota com quem eu sabia que podia contar. Lembro que uma vez, acho que na sexta-série, eu e minha melhor amiga começamos a gostar do mesmo menino. E aí quando confessamos isso uma pra outra, decidimos que ele ia decidir e a outra ia aceitar, HAHAHA. Claro que quando ele decidiu foi um pouco dramático, até porque eu saí perdendo, mas na hora eu tive a sensação de que eu gostava muito mais da minha amiga do que do cara, então não ia estragar nossa amizade por causa de um menino que chegou ontem na minha vida. Foi a melhor coisa que eu fiz. E hoje eu tenho amigas muito importantes na minha vida, o que está sendo incrível nessa fase tão estranha que é a ~juventude~, né? É a sensação de que tô cheia de gente ao meu redor que sabe exatamente o que eu tô passando, que tá passando aquilo junto comigo, e que eu sempre vou ser acolhida e amada ali. Pra mim a sororidade foi perceber que essa rede de proteção que eu sentia entre eu e minhas amigas deveria ser uma coisa estendida a todas as mulheres, que elas mereciam o mesmo respeito e consideração que eu tinha pelas mulheres na minha vida. Essa noção de parceria, cuidado, de julgar menos e buscar entender quem tá do meu lado, vivendo essa experiência de ser mulher no nosso mundo. Não sei se fez sentido, mas acho que me transformou por me fazer ter mais empatia pelas mulheres e vontade de ajudar até quem eu não conheço. 

5. Para finalizar ainda no tópico sobre mulheres: quem são as mulheres empoderadas cujos trabalhos te inspiram? 
Só consigo pensar em exemplos ~pop~, vale né? O primeiro que lembro é o da Chimamanda Ngozi Adichie, a escritora nigeriana que ficou famosa por suas palestras no TED e por um dos seus discursos ter sido sampleado na música da Beyoncé. Eu também conheci ela através do TED, mas foi a literatura dela que me "converteu" em fã e admiradora MESMO. Que mulher. A Chimamanda consegue ter uma percepção do mundo muito precisa, muito crítica, ela tem uma sensibilidade absurda e consegue juntar luta e crítica numa história com personagens vivos, sensíveis, desses que ficam com a gente muito depois do livro acabar. Americanah mexeu MUITO comigo. Outra grande inspiração pra mim é a Amy Poehler, que é uma atriz e comediante incrível, e tudo que ela encosta é maravilhoso. Além da mensagem que ela passa com seus personagens e as críticas que ela faz a Hollywood, etc, a Amy tem um projeto muito bacana que é o Smart Girls, um site pra garotas que é cheio de coisas incríveis e mulheres maravilhosas, conselhos pra vida, enfim. Por último, a Tavi Gevinson. Eu poderia dizer que quando crescer quero ser a Tavi, mas ela é mais nova que eu! HAHAHA a Tavi ficou muito famosa na internet quando ainda era criança, porque ela abriu um blog de moda e usava umas roupas muito loucas. Além da atenção que ela chamava pelos looks cheios de informação, que às vezes pareciam que ela tinha colocado todas as roupas do armário da vó de uma vez, ela tinha muita informação de moda, os textos eram incríveis e divertidos, contavam histórias e tal. Com o tempo ela foi crescendo, desencanando da moda, e aí lançou a revista Rookie, que pra mim é literalmente a coisa mais legal da internet. Ela quis fazer uma revista teen que falasse sobre tudo que as revistas teens falam e tudo que elas não falam, e ela trata garotas adolescentes como gente de verdade e a forma como a revista aborda tudo (de primeiro beijo a apropriação cultural e relacionamentos abusivos) é sempre muito incrível e inspiradora.



E o bônus, que eu vou fechar o olho e falar as três primeiras coisas que me vierem na cabeça, ok?
3 coisas que gosto muito: pizza, livros e mar!


- Pizza porque é meu prato preferido e acho que qualquer coisa fica melhor se tem pizza pra acompanhar. A vida nunca é tão ruim quando se tem uma pizza no meio.


- Livros porque eles permitem que ao mesmo tempo que a gente explore o mundo, a gente se esconda um pouco dele, mas sempre se encontrando no meio das páginas e histórias.


- Mar porque é a coisa mais incrível da natureza, a coisa mais bonita, que sempre me lembra que Deus existe.

Encontre a Anna:
@loveology_x
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Mia Fernandes
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