-

as blogueiras: ana rodarte



Um agradecimento especial ao Luiz Quizoide, autor das belas fotos da Ana que ilustram esse post!

Olá, meninas!

Vocês se lembram da série de entrevistas com blogueiras que eu havia começado em Abril? A boa notícia é que ela irá continuar *soltando fogos de artíficio*.
Hoje o papo será com a Ana Rodarte, blogueira de moda sustentável do Fashiombudz! Ela compartilhou conosco sua visão do cenário da moda atual e o que precisa ser mudado na indústria.

Olha só:


1. Ana, o Fashiombudz é um blog sobre Moda Sustentável, o que te inspirou a criar algo tão diferente dos outros blogs de moda que vemos hoje em dia?

Primeiro, muito obrigada pelo convite, Monique! Por enquanto, ele não é tão diferente dos outros blogs. O Fashiombudz nasceu como um blog onde eu poderia tecer textos mais complexos sobre Moda, dando margem para problematizar e conhecer outros lados deste universo. O nome, para quem não sabe, é uma mistura entre os termos fashion e ombudsman. Eu estava conhecendo blogs muito interessantes sobre lingerie na época. Mas foi após uma entrevista com Chiara Gadaleta, que produzi para a Rádio UFMG Educativa, que me encontrei ao abraçar o Fashion Revolution e outras iniciativas de sustentabilidade. Aos poucos, com mais conversas em grupos feministas e leituras, concluí que a inovação e a inclusão social também teriam de ser pilares fundamentais para uma transformação efetiva da indústria da Moda. De que adiantaria chamar atenção para o grande volume de água que é usado pela indústria para produzir uma camiseta, se não pensarmos que esta peça também está disponível apenas em uma pequena variedade de tamanhos? Ou que ela é divulgada em anúncios que apenas contemplam uma consumidora branca, magra e de classe média alta? São questões que andam juntas, e estou constantemente repensando o Fashiombudz para que possa abordar estes temas de maneira mais efetiva. Como todo projeto que começa, ele ainda se espelha muito em outros, mas já está ganhando uma carinha própria! Acho que os leitores já perceberam que tenho uma queda por roupas íntimas, haha!

2. Você acha que existe algum outro blog sobre moda que está abordando a diversidade? Qual? 

Felizmente, existem! Aqui no Brasil, temos o portal Modefica, que além de abordar iniciativas sustentáveis, também se preocupa com pautas sociais na indústria fashion. Temos também o Under the Unders, da Manoela Marandino, que foi muito importante nesta minha caminhada e me inspira muito nas pesquisas que tenho realizado sobre lingeries. E um dos maiores blogs sobre roupas íntimas que conheço é o Lingerie Addict, da Cora Harrigton. Feminista, Cora percebeu que o mundo da lingerie não só recebia pouca atenção em portais de Moda, como também era bastante excludente. Então ela criou um espaço onde pudesse discutir e divulgar marcas de lingerie que ela admirasse de uma maneira empoderadora e inclusiva! Ela é uma de minhas maiores inspirações, mesmo que o foco do Fashiombudz não seja a lingerie.



3. O que está faltando na indústria da moda? O que precisa mudar urgentemente? 

Falta muito, e a lista é extensa. Creio que o principal é uma avaliação mais ponderada e sábia de custo-benefício. Produzir com mais prudência hoje, ainda que a custos maiores, para preservarmos recursos para o futuro. Aquela cultura da paciência e do planejamento que falta ao brasileiro, como lemos em Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda, 1936). Falta estímulo às produções regionais. Como concorrer com o grande volume de produtos da China, vendidos a baixos preços?  Preços estes que, aliás, encobrem a dura realidade de trabalhadores que operam em condições análogas as de escravidão? Falta termos maior clareza da cadeia produtiva, porque o que vestimos tem história e deixa impactos ambientais e sociais. Ao consumidor, principalmente, falta consciência e honestidade para com os próprios valores: Vamos continuar financiando cadeias produtivas poluentes e sem compromisso com os trabalhadores? Precisamos realmente deste grande volume de roupas? Não seria melhor investir um valor um pouco mais alto em produtos de qualidade, que estimulem a nossa economia e sejam condizentes com nossos valores? É uma transformação gradativa, que tende a acelerar na era em que vivemos, onde a informação é abundante e melhor distribuída. Como bem pontuou Chiara Gadaleta, brevemente, as etiquetas dos produtos já serão capazes de nos informar com precisão sobre a cadeia produtiva destes itens.

4. Em sua opinião, como a diversidade é representada atualmente no mundo do entretenimento? Você acha que estão fazendo um bom trabalho para a inclusão de todos ou não?

O mundo do entretenimento está aprendendo a ouvir seu público. Tenho ciência de que ainda precisamos dar grandes passos, mas entendo que por parte dos produtores, isso não tem sido tarefa fácil. As redações, agências e estúdios ainda são repletos de ideias machistas e homofóbicas, e propor ideias mais inclusivas, que são relativamente novas para estas pessoas, neste contexto, é um tanto difícil. Precisamos melhorar este diálogo. Mas é interessante observar que muitas organizações estão dispostas e escutar e aprender com o público, como foi no caso recente da campanha de Carnaval da Skol. Há iniciativas brilhantes por parte de algumas marcas, que procuro divulgar lá no Fashiombudz. É importante lembrarmo-nos de exemplos positivos para reavivar os ânimos! Então, ainda diante de tantos desafios, sou bastante otimista!



5. Para finalizar, quero saber qual é a sua maior vontade no momento. Tem algum sonho que você quer muito realizar?

Céus, como bem definiu meu namorado, eu sou uma pessoa bastante "queruda"! Tenho muitas vontades e sou bastante sonhadora, mas preciso ter paciência pois sou gente miúda: Acabo de me formar em Jornalismo e pertenço  uma família que não tem muitos recursos financeiros. Talvez a maior dessas vontades seja transformar o Fashiombudz em um portal maior, com mais conteúdo de qualidade e que tenha uma voz mais potente para dialogar com o mundo da Moda. Quero poder dialogar com revistas, marcas e organizações para reunir esforços por uma Moda melhor, mais sustentável e justa. Sou de Minas Gerais, e tenho o sonho de ver o nosso Polo de Moda valorizado no cenário nacional e internacional. E para isso é necessário estabelecer uma série de medidas de divulgação. Temos agentes importantes, como Ronaldo Fraga, mas ele também precisa de ajuda! Ainda tenho o sonho de fazer um curso de Moda, mas se eu perceber que meu potencial de transformação está na imprensa, então é lá que vou me concentrar.



Lingeries

Minha paixão pelo mundo da lingerie partiu de uma necessidade. Comecei a namorar, logo veio a minha vida sexual e eu queria expressar melhor minha sensualidade. Sou muito magrinha, e as marcas populares brasileiras não ofertam muitos produtos atraentes para moças que tenham medidas como as minhas. Então eu parti em uma saga em busca de produtos que me deixassem confortável e dialogassem com meu estilo. Eu já tinha uma quedinha antiga pelo trabalho de Thaís Gusmão, mas encontrei outros trabalhos tão maravilhosos quanto. Fiquei apaixonada.

Jornalismo de Moda

Enxergo tantas possibilidades! Há tanto a ser feito! Você conhece o The Man Reppeller? Céus, Leandra Medine é sensacional! Ela consegue provocar um mundo que pretende se levar a sério demais. Já me identifiquei com Leandra quando me deparei com o título do blog. Acho que às vezes, por honra ao nosso estilo, nos tornamos um pouco repelentes, visualmente. E isto acontece e podemos rir disto! Podemos rir de nós mesmos. E esse senso de humor precisa estar presente, a Valentino já chamou atenção para o tema quando convocou Ben Stiller e Owen Wilson, estrelas de Zoolander, para o desfile da marca no último Paris Fashion Week. 
Eu fico em êxtase diante de uma pilha de revistas de Moda. Em êxtase.

Guilherme

Meu namorado tem olhos de amêndoa, sardas engraçadinhas no nariz e um humor digno de um velhinho de 97 anos. Nos conhecemos quando ele enviou um Spotted para mim. O texto era tão atrapalhado, tão sincero! Guilherme se tornou o meu melhor amigo, e acho que não conheço sensação melhor do que a que sinto quando acordo pela manhã e me deparo com ele sorrindo pra mim. Ele é muito trabalhador e inteligente, uma pessoa que me inspira muito. E foi por incentivo dele que comecei a publicar meus textos em pequenos blogs. Eu não tinha coragem até então! Foi também ele que me indicou algumas pessoas com que conversar sobre feminismo. Guilherme é meu raio de Sol e meu desassossego: Parecemos um casal de periquitos australianos, hahaha! 

Mia Fernandes
Comentários do Facebook
0 Comentários do Blogger