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um manifesto do amor próprio


Olá, meninas! ☆

Quem aí já se olhou no espelho e se sentiu desconfortável com o próprio reflexo? Queria muito dizer que este não é meu caso, que sempre fui extremamente confiante e que em nenhum momento quis chorar ao ver minhas imperfeições. 

Sempre tive oscilações drásticas de peso. Desde pequena. Após a morte do meu pai,  comecei a perder os quilos que me tornavam um "bebê fofinho" e me transformei em uma criança magra. Em retrospecto, acho que esta foi a última vez em que realmente não me importei com o corpo. 


Aos 7 anos de idade, comecei a engordar. Eu era saudável. Praticava esportes. Mas meu peso continuava subindo. A princípio, nem me importei com isso. Mas aí é que entrou um fator crucial que mudaria tudo: o bullying. Os meninos mais velhos inventaram um apelido que me persegue até hoje: celulite.

Como se aos 7 anos de idade, eu pudesse ter qualquer traço de celulite. Mas eles "descobriram" a palavra e na cabeça deles, isto era sinônimo de "pessoa gorda". Foram muitas e muitas vezes que os confrontei sobre o significado de celulite e eles só respondiam que era "baleia". 


Depois disso, eu comecei a me esconder. Só usava calças e blusas com manga comprida. É óbvio que o bullying morreu um pouco quando entrei na puberdade, mas o trauma estava comigo até hoje. 


Eu comecei a desenvolver um corpo bonito, mas naquela época, eu nem ao menos tinha noção disso. Me sentia gorda. Ainda me sentia rejeitada. Me cobria de todas as formas e evitava muita exposição (praia era algo que estava completamente fora de cogitação).

Por algum milagre divino, quando realmente entrei na adolescência, desencanei um pouco. Mostrar as pernas ainda era proibido pra mim, mas comecei a me importar menos com aparência. Não era vaidosa e isso colaborou para que eu me mantivesse mais "sossegada" em relação ao peso.


É claro que passei toda minha bendita adolescência escutando que "se eu perdesse cinco quilos, ficaria linda". Mas eu não estava nem aí. No ano seguinte comecei a namorar e fiquei ainda mais confortável.
Infelizmente, todo o conforto terminou no momento em que o namoro acabou em 2008 e percebi que meu peso havia atingindo um limite.


Mais ou menos nesta altura do campeonato, eu proibia que tirassem fotos minhas de corpo inteiro. No meio de 2009, tive minha primeira experiência com Sibutramina. Emagreci 8kg em 15 dias e parei no hospital com taquicardia. Entretanto, na minha cabeça isso não fazia diferença nenhuma, já que eu estava magra.


É óbvio que a minha alimentação (que não era nem um pouco regrada), fez com que meu peso voltasse e voltasse em dobro num curto período de tempo. Quando olhei as fotos do Natal de 2009, lembro que me tranquei no quarto e chorei muito:


Depois disso, a loucura foi TÃO grande que decidi que emagreceria a todo custo. Comecei a tomar Anfepramona escondida de todos, chegava 21h em casa e nada me atrapalhava: aquela era a hora de malhar. Anotava todas as minhas refeições num caderno, tinha um gráfico com a minha (assustadora) evolução na "batalha" pra perder peso. No começo de Fevereiro, eu já estava assim:


Ainda me lembro que emagreci muito depois disso.  Me sentia confiante...Mas também me sentia doente. Logo larguei o remédio e resolvi que manteria o peso naturalmente. Consegui me manter firme na dieta/exercícios até o fim de 2011.

Mas aí, uma velha conhecida voltou e com ela, vieram todos os quilos: a depressão.

Em Janeiro de 2012, pedi demissão do meu emprego e me tranquei em casa. Não tenho muitas fotos deste período, já que fazia questão de me esconder. 
Minha autoestima estava destroçada. Eu me sentia inútil. Não dormia nos horários certos e desenvolvi um vício quase incontrolável por bebida. Larguei a academia e deixei muitos dos meus amigos pra trás.

A única coisa que me deixava bem era cerveja. Desenvolvi alguns problemas hormonais e quando subi na balança, havia engordado mais de 30 quilos.

Mas pela primeira vez, não me importei tanto. Não senti que precisava desesperadamente emagrecer. Se o médico não me aconselhasse a perder o peso extra - porque estava começando a atrapalhar minha saúde - eu nunca me daria ao trabalho de entrar em uma dieta.

Hoje, revendo essas fotos, percebi quantas vezes em minha vida estava bem, saudável e bonita - e mesmo assim, enchi meu corpo de drogas para emagrecer e a cabeça com ideias de que eu não era boa o suficiente. 
Eu sou boa do jeito que sou. Você também é. A beleza vem em várias formas. Você passará por várias fases. E sabe de uma coisa? Está tudo bem! Não deixe que essa pressão por uma utópica perfeição, atrapalhe sua saúde, autoestima e felicidade. 

Espero que em breve eu possa compartilhar com vocês, a foto de uma Monique saudável. Não importa se perdi 05 quilos ou ganhei mais 10. O que importa é que eu sei que me sentirei linda e ninguém, nunca mais, irá tirar isso de mim.
Mia Fernandes
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